17 jan
Viseu

Saúde

Última tranche de vacinas da gripe ainda não chega para todos

por Redação

02 de dezembro de 2020, 15:41

Foto Arquivo Jornal do Centro

A lista de espera de utentes de risco é maior do que o número de doses de vacinas disponibilizadas

CLIPS ÁUDIO

A terceira e última tranche de vacinas para a gripe chegou na última semana. Foi distribuída pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro às unidades de saúde que, dizem, “não vai chegar para vacinar todos os utentes”.

Tudo porque, defendem profissionais de saúde, o Ministério de Saúde não acautelou a compra das doses necessárias. “Só adquiriram 2 milhões de 800 mil vacinas quando, este ano, se sabia que a procura iria ser maior”

No centro de saúde de Carregal do Sal, por exemplo, ainda ficam por vacinar cerca de 220 utentes. Em Vouzela e São Pedro do Sul, a informação é de que “vai ficar muita gente por vacinar”. 

Em Castro Daire, “o número de doses que chegou é manifestamente insuficiente para retomar a vacinação pelas aldeias”, informa fonte da Câmara Municipal. 

Ao invés, São João da Pesqueira voltou a colocar em marcha a sua unidade móvel e a expectativa é de que “a tranche dê para concluir a vacinação a todos os munícipes”.

Já em Oliveira de Frades, município que aderiu ao protocolo assinado pelo Ministério da Saúde que permite a administração gratuita de vacinas contra a gripe nas farmácias locais para pessoas com mais de 65 anos ou doentes crónicos, não voltaram a chegar vacinas nem ao centro de saúde nem às farmácias. 

Contactado pelo Jornal do Centro, o diretor do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões, adianta que 10 por cento das vacinas foram “desviadas” para as farmácias comunitárias. 

“Chegou na semana passada a última tranche, distribuídas pelos serviços da ARS Centro diretamente às unidades”, explica António Cabrita Grade. 

 

Quase metade dos portugueses de grupos prioritários já tomaram a vacina da gripe

Cerca de metade dos portugueses que integram grupos prioritários já se vacinaram contra a gripe, divulga o relatório Vacinómetro, que monitoriza a cobertura vacinal contra a gripe entre idosos, doentes crónicos, grávidas e profissionais de saúde.

Promovido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), em colaboração com a companhia biofarmacêutica Sanofi, o relatório dá conta da segunda vaga de vacinação, em que se registou uma subida de 13,2 pontos percentuais em relação à primeira fase de vacinação de pessoas de grupos prioritários, resultando num total de 49,9% de cobertura vacinal dessa população de maior risco.

Em comparação com o período homólogo do ano passado, o Vacinómetro regista que desde 19 de outubro apenas se contabilizou uma descida na vacinação a doentes crónicos, com uma quebra de 5,6%, o que resulta até ao momento na vacinação de 46,4% deste universo.

Por outro lado, os profissionais de saúde foram o grupo prioritário que mais procurou proteger-se contra a gripe nesta fase, facto associado à ameaça da pandemia de covid-19. De acordo com o relatório, 61,2% dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes já foram vacinados, ou seja, mais 21,1 pontos percentuais face a 2019.

Entre os idosos com pelo menos 65 anos, 57,1% já estão vacinados contra a gripe, em linha com as estatísticas do ano anterior, enquanto na população entre 60 e 64 anos a cobertura da vacina fica nos 34%, ainda assim 6,2 pontos percentuais acima do período homólogo de 2019. O Vacinómetro estima que 1.160.618 portugueses com 65 ou mais anos já se vacinaram contra a gripe, sendo que a estes juntam-se ainda 220.008 pessoas com idades entre os 60 e os 64 anos.

Na análise à vacinação entre grávidas o relatório aponta uma cobertura vacinal nesta fase (até 24 de novembro) de 44%, sendo que mais de 98% da população estudada disse tê-lo feito por indicação do respetivo médico.

Quanto à forma de aquisição da vacina, 965.634 pessoas, 83,2% da população estudada vacinada, terão recebido a vacina gratuitamente em centros de saúde, enquanto 8,5% recebeu-a gratuitamente em farmácias através do lote de vacinas cedidas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 5,5% compraram diretamente na farmácia.

O Vacinómetros adianta que 92,5% da população agora vacinada já o tinha feito em anos anteriores. No entanto, registou-se um crescimento significativo – quase 15 pontos percentuais - na intenção das pessoas de vacinação contra a gripe em relação a 2019, que subiu de 34,4% para 49,3%.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts