Foto Arquivo Jornal do Centro
Ex-inspetor da PJ traz novas revelações sobre o caso ao Jornal do Centro
25 Jun 2020
Ep45 | Gonçalo Amaral, ex-inspetor que liderou investigação da PJ no caso Maddie
O ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ), Gonçalo Amaral, pede uma investigação séria sobre o desaparecimento da inglesa Madeleine McCann às autoridades estrangeiras.
O antigo coordenador da PJ de Portimão, que liderou as investigações ao caso quando a criança desapareceu no Algarve há 13 anos, deu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Centro, onde fez novas revelações sobre uma das investigações judiciais mais longas dos últimos anos.
Na entrevista, Gonçalo Amaral exigiu seriedade às polícias alemã e inglesa sobre o desaparecimento na Praia da Luz, por causa das alegadas provas e pistas que estão a aparecer.
“Fala-se muito e mostram-se as imagens de um suspeito e por aí fora, mas voltamos à questão de a investigação ser séria. Eu não posso pedir sequer que alguém reconheça a pessoa através de uma imagem dela passados uns anos. As pessoas mudam. E mostrar imagens de alguém com 43 anos de idade não é a mesma coisa que mostrar a de uma pessoa com 30 anos”, argumenta.
O ex-investigador natural de Torredeita (Viseu) considera ainda que o alegado suspeito alemão apresentado recentemente pelas autoridades, Christian Brueckner, não passa de um novo suspeito quase perfeito.
“Como o casal [McCann] diz que foi um pedófilo desde a primeira hora, tem de se arranjar um pedófilo. Esta é a grande questão nesta matéria. O suspeito estava no Algarve, mais uma centena de outros pedófilos, porque lá há muitos pedófilos. Não era caso único”, afirma. Gonçalo Amaral acrescenta mesmo que Christian Brueckner não é nada mais do que um “bode expiatório, porque ao longo dos anos isso tem acontecido”.
O antigo polícia defende a reconstituição do desaparecimento de Maddie, algo que, diz, nunca aconteceu por causa da pressão mediática na altura em que o caso surgiu. “Houve uma grande confusão na altura. A pressão da imprensa não nos permitia realizar a reconstituição e foi por isso que não conseguíamos deslocar à Praia da Luz”, explica.
O ex-inspetor diz ainda estar convencido de que a PJ tem todos os meios necessários e suficientes para levar, a bom porto, a investigação que nunca foi concluída. “A PJ realizou um excelente trabalho na altura e continua a empenhar do melhor que tem a nível de profissionais. Deu o melhor de si e sei que tem capacidade para, sozinhos, resolverem o caso”, remata.
Gonçalo Amaral, que liderava a investigação da PJ ao caso Maddie quando aconteceu o desaparecimento em 2007, deu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Centro.
Espaço atualidade com Gonçalo Amaral