04 dez
Viseu

Sociedade

Lesados do BES foram tratados "abaixo de cão", diz advogado

por Redação

27 de julho de 2020, 10:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Advogado dos lesados e pequenos depositantes do BES falou em exclusivo ao Jornal do Centro

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Os lesados do BES, que ficaram sem as poupanças depois da queda do banco em 2014, estão a ser tratados abaixo de cão. O alerta foi deixado pelo advogado Miguel Reis.

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Centro, o causídico reclama justiça aos lesados e pequenos depositantes que, sublinha, continuam a reclamar o dinheiro há seis anos.

“Eles nunca tiveram a solidariedade de ninguém. Os lesados vieram para a rua [reclamar do dinheiro]. Alguns deles já morreram… Passaram-se seis anos. Não se faz isto. A Justiça está a portar-se muito mal com esta gente quando os processos não andam e quando não se faz justiça”, diz.

Este ano, o Ministério Público deu a conhecer a acusação do caso BES, onde os magistrados acusaram 25 arguidos de crimes como associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos, branqueamento e burla qualificada. Miguel Reis considera que esta poderá ser “provavelmente a última grande oportunidade” para os lesados reclamarem justiça.

“Nós apresentámos uma queixa criminal, em que pedimos que sejam constituídos arguidos todos os administradores do BES e do Banco de Portugal. Eu acho que há indícios de práticas criminosas, nomeadamente administração danosa”, acrescenta.

O advogado dos lesados e pequenos depositantes do BES diz ainda não ter dúvidas de que é necessário responsabilizar os governantes na altura em que o banco quebrou, incluindo o antigo Presidente da República, Cavaco Silva.

“A mensagem do Banco de Portugal e do próprio Presidente da República foi no sentido de investir no BES e de que era seguro a meia-dúzia de dias da resolução. Isto não é um problema de esperança, este é um problema de fraude. As pessoas foram enganadas. Seria preciso instigar uma ação criminosa contra o Banco de Portugal e o Estado”, remata.

A entrevista pode ser acompanhada na integra em www.jornaldocentro.pt e na Rádio Jornal do Centro (98.9 FM), a partir das 19h00 desta segunda-feira (27 de julho). 

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