09 Ago
Viseu

Sociedade

Manuais escolares: escolas têm "trabalho complicado e moroso"

por Redação

03 de Julho de 2020, 15:20

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães, Manuel Pereira, diz que não vai ser fácil devolver os manuais aos alunos, depois de o Parlamento ter aprovado esta semana a suspensão da entrega destes livros às escolas.

Os diretores acusam os políticos de "brincar às escolinhas" por causa da aprovação da proposta elaborada pelo CDS. Entretanto, o Governo já decidiu esta sexta-feira (3 de julho) pela suspensão da entrega dos manuais.

Em declarações ao Jornal do Centro, Manuel Pereira, que é também presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, diz que a suspensão decidida pelos deputados vem fora de prazo, até porque o processo de devolução já tinha começado esta semana.

“É claro que, numa altura destas, a proposta só peca por estar fora do tempo. De outra forma, fazia todo o sentido, mas enfim… É uma complicação para as escolas que já estão a proceder à recolha dos manuais. Caso venha a ser aprovado o Orçamento Suplementar com esta alínea, as escolas vão ter de voltar a entregar aos alunos e aos encarregados de educação, o que é de facto uma enorme complicação”, refere.

Para Manuel Pereira, a receção dos livros escolares não é um processo fácil para as escolas, mas “extremamente complicado e moroso”.

“Basta lembrar que cada aluno traz seis livros para devolver. Num agrupamento com 600, 700 ou 800 alunos, estamos a falar de milhares de manuais. Num ano normal, os professores teriam tempo para avaliar os manuais nos últimos 15 dias de aulas e depois recebê-los depois de vistoriados. Este ano, não temos essa possibilidade”, explica.

“Os pais vão à escola para entregar os manuais de acordo com o calendário e os professores e os funcionários vão estar mobilizados para receber os pais, avaliar página a página e decidir se podem ser reusados em tempo real, para colocarem depois na plataforma do Ministério da Educação”, acrescenta.

Segundo as contas de Manuel Pereira, só no agrupamento de escolas que dirige em Cinfães, é preciso meia centena de pessoas para avaliar o estado dos sete mil livros que têm de ser entregues.

A proposta de suspender a devolução dos manuais escolares foi apresentada esta semana pelo CDS-PP: Na terça-feira, no âmbito das votações do Orçamento Suplementar na especialidade, o parlamento aprovou a proposta do CDS-PP que suspende a devolução dos manuais escolares entregues aos alunos para o ano letivo de 2019-2020, numa votação que contou apenas com os votos contra do PS.

A ideia da proposta é garantir “condições para a recuperação das aprendizagens dos alunos, a ter lugar no início do ano letivo de 2020-2021". O ministro da Educação acusou a proposta do CDS-PP de pôr em causa uma operação complexa: "São cerca de 150 milhões de euros que custa esta operação, que estavam baseados numa reutilização e que foi posta em causa".

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