16 Jul
Viseu

Sociedade

Sé de Viseu abriu portas em dia de Pentecostes: “um momento de alegria e surpresa”

por Redação

31 de Maio de 2020, 15:54

Foto Igor Ferreira

Bispo de Viseu, D. António Luciano, celebrou missa deste domingo (31 de maio).

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Em dia de Pentecostes (uma das celebrações mais importantes no calendário cristão) e retoma das celebrações comunitárias, a Sé de Viseu voltou a abrir as portas para receber os fiéis.

A entrada na igreja é feita de uma nova forma. Existe um percurso específico e locais distintos para entrar e sair.

As equipas de escuteiros garantem o distanciamento entre cada pessoa e que toda a gente se desinfete. Em seguida, as pessoas são acompanhadas até ao seu lugar para que haja distância de segurança. Outra das regras é a entrada e permanência na igreja com máscara.

O Bispo de Viseu, D. António Luciano, fez a celebração deste domingo. “Vejo os vossos sorrisos através das máscaras”, disse D. António Luciano a todos aqueles que assistiam à missa.

Todos recordamos o dia 13 de março, quando foram interrompidas as atividades de eucaristia, e a fé foi vivida em família. O tempo da Páscoa, que completa hoje os 50 dias, chega ao seu fim”, recordou o Bispo. “Esta é a festa da plenitude, da colheita”, disse.

O tema da pandemia da Covid-19 não passou ao lado da celebração. “Peço convosco que termine esta terrível pandemia. Que todos os que sofrem sejam curados”, desejou o D. António Luciano.

O coro realizou as suas intervenções, como costume, mas também sempre protegidos com máscara e distanciados. O mesmo aconteceu sempre que alguém subiu ao altar para a liturgia – a desinfeção acontecia antes e depois da intervenção.

Cerca de 50 pessoas estiveram presentes na missa, entre as quais se destacou Almeida Henriques, presidente da Câmara Municipal de Viseu. “São momentos muito emocionantes porque nós que temos fé gostamos também de vir aos locais de culto e poder celebrar”, disse o autarca sobre a retoma da eucaristia. “Sobretudo hoje, neste dia, ver o senhor Bispo a fazer a celebração dá-nos um sinal de esperança de que tudo irá ficar bem e havemos de ultrapassar todas estas dificuldades com a intervenção do homem, mas também com a inspiração de Deus”, adiantou.

Jéssica Cardoso, uma das fiéis que esteve a assistir à missa, afirmou que foi muito bom poder voltar à igreja. “Já fazia muita falta, mas foi difícil ver a igreja organizada desta forma com tanto espaço vazio. É sinal que as pessoas ainda têm medo de vir. A igreja da Sé é a que costuma estar mais composta, mas é um sinal de que temos de andar para a frente e regressar à vida com normalidade”, comentou.

Conceição Cardoso, uma das escuteiras, disse que tudo correu de forma tranquila. “As pessoas até se adaptaram bem. É evidente que custa sempre até porque há pessoas que acham que têm os lugares cativos que ficam sempre no mesmo sítio... As mudanças são complicadas, mas foi calmo. Como as pessoas ainda estão com medo e receio de voltarem, não houve muita gente. Vamos ver agora”, afirmou.

Para D. António Luciano, o regresso à Sé de Viseu foi um momento de “alegria e de surpresa” porque não imaginava como iria começar.

“Foi uma agradável surpresa do Espírito porque a Sé estava devidamente composta. Caberiam mais algumas pessoas, claro... por isso dou Graças a Deus. Também isto foi um dom do Espírito Santo e também uma Graça de Maria”, atentou o bispo referindo-se à celebração deste último domingo de maio que comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, sua mãe Maria e outros seguidores.

“Agora é preciso que continuemos a fazer este caminho”, disse convicto. “Sei que não é fácil, principalmente para os mais idosos, também para os pastores, mas é uma hora de alegria, esperança... nada será igual”, acrescentou.

Utilizar máscara é incómodo, mas D. António Luciano defende o seu uso. “Não quero que ninguém através de mim ou de outros possa contagiar-se. Andar de máscara é incómodo, mas é assim que temos de nos habituar a viver”, alertou.

O Bispo vai à Sé, por norma, no dia de Pentecostes para crismar. “Não tivemos crisma, mas foi um sinal de que, na verdade, havemos de continuar e as pessoas hão-de voltar. Agora vamos ter todos mais liberdade, mas também mais responsabilidade”, rematou D. António Luciano.

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