25 Set
Viseu

Sociedade

Incêndio em Sernancelhe: presidente de junta desconfia de mão criminosa

por Redação

07 de Agosto de 2020, 12:43

Foto Arquivo Jornal do Centro

Nas operações de rescaldo e vigilância, ainda permanecem 335 operacionais, apoiados por 105 carros e três meios aéreos

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O presidente da Junta de Freguesia de Quintela, António Sá Oliveira, desconfia que o incêndio agora dominado no concelho de Sernancelhe tenha tido origem em mão criminosa.

O fogo foi dado como dominado esta manhã de sexta-feira (7 de agosto), às 9h48, depois de mais de 20 horas no combate desde o meio-dia de quinta-feira (dia 6).

Em declarações ao Jornal do Centro, António Sá Oliveira diz desconfiar das origens deste incêndio que deflagrou na freguesia que dirige.

“Quando ele [fogo] começou foi junto da Lapa, no polidesportivo. Ou houve descuido ou mão criminosa, porque o fogo não se ia deflagrar sozinho nem em lado nenhum. É sempre lançado com intenção”, admite.

Já o presidente da Câmara de Sernancelhe, Carlos Santiago, garante ao Jornal do Centro que, no incêndio que assolou o concelho, não ardeu nenhuma casa, apesar do maior perigo registado nas povoações de Santo Estêvão e Granjal.

“Felizmente, essa foi sempre a principal prioridade por parte dos meios no terreno: as pessoas e as habitações. Felizmente, apesar de ter havido muito perigo, nomeadamente na aldeia de Santo Estêvão e no Granjal, os bombeiros conseguiram fazer esse controlo em cima das habitações. Foi uma situação muito difícil e aflitiva, mas conseguiu atingir-se o objetivo e não houve qualquer dano”, explica.

Neste momento, a preocupação são os reacendimentos. Com a Serra da Lapa pintada de negro, Carlos Santiago diz que o que se vê agora em Sernancelhe é um cenário “triste e desolador”.

“Toda a Serra da Lapa e as freguesias de Carregal, Lamosa, Santo Estêvão, Penso, Vila da Ponte, Lapa e Quintela  estão completamente ardidas. É qualquer coisa de desolador e triste num território como o nosso, porque nesta altura vivíamos um pouco da paisagem, do seu turismo e da sua dinâmica”, lamenta.

Segundo o autarca, a Câmara Municipal está já a fazer um levantamento dos prejuízos. Houve bens perdidos, nomeadamente muitos castanheiros, colmeias e alimentação dos animais. Estamos a fazer a avaliação, não me quero precipitar com qualquer tipo de opinião. Vamos avaliar e perceber, mas é desolador”, remata.

As chamas que começaram em Quintela chegaram a ter quatro frentes ativas, alastraram para o município vizinho de Moimenta da Beira e provocaram o corte da Estrada Nacional 226, entre Vila da Ponte e Granjal. Um bombeiro ficou ferido e várias aldeias foram evacuadas.

No local, nas operações de rescaldo e vigilância, ainda permanecem 288 operacionais, apoiados por 89 carros e três meios aéreos.

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