04 dez
Viseu

Cultura

Viseu Tinto no Branco com formato digital este ano

por Redação

19 de novembro de 2020, 15:42

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

O festival literário Tinto no Branco, em Viseu, conta este ano com o regresso do escritor moçambicano Mia Couto e tem o ator brasileiro António Fagundes e a enóloga britânica Jancis Robinson, entre outros convidados. O evento assume agora a designação "encontros", numa edição que decorrerá totalmente em streaming digital por causa da pandemia da Covid-19.

“Este ano o Festival Literário Tinto no Branco perde propositadamente o termo festival, para não haver más interpretações, e assume o termo 'encontros literários'", disse esta quinta-feira (19 de novembro) o vereador da Cultura da Câmara Municipal, Jorge Sobrado.

A iniciativa Tinto no Branco - Encontros Literários de Viseu vai decorrer de 4 a 6 de dezembro e "vai ser 100% digital e 100% local”, sublinhou o vereador, mantendo no entanto a expectativa de assim chegar a novos mercados e a outras latitudes da lusofonia, como Brasil e Moçambique.

Jorge Sobrado explicou que o programa “será realizado exclusivamente em streaming, com as sessões ao vivo e sem qualquer público presente”, “grande parte das quais a partir da Casa do Miradouro”, em Viseu, onde a programação hoje foi hoje apresentada aos jornalistas.

Em streaming fora de Portugal estão, desde já assumidas, as participações dos atores António Fagundes e Patrícia Pillar e o jornalista e escritor Afonso Borges, do Brasil. Do Reino Unido, participará a crítica de vinhos Jancis Robinson. Estes convidados “marcarão presença a partir dos seus países”, através do site tintonobranco.pt.

Este ano, continuou Jorge Sobrado, “há uma atenção especial ao Brasil, e acontece num ano em que Viseu se dedica ao cinema e artes visuais”. Nesse sentido, António Fagundes e Patrícia Pillar são convidados, “não só pela projeção na televisão e cinema, como também por todo o trabalho realizado com adaptações literárias e no teatro”.

“A aclamada crítica de vinhos, britânica, atualmente colunista do Financial Times e responsável pela garrafeira da Rainha de Inglaterra, Jancis Robinson, vai estar à conversa, numa 'entrevista de vida', com Carlos Lucas, durante a qual, certamente, o vinho do Dão, que também conhece, vai ser um dos assuntos principais”, destacou Jorge Sobrado.

Mia Couto está de regresso ao festival, a partir de Moçambique, e, este ano, será à conversa com o cineasta seu compatriota Sol de Carvalho, que realizou o filme “Mabata Bata”, em 2017, inspirado num dos primeiros contos de Mia Couto, “O dia em que explodiu Mabata Bata”, de 1986.

A atriz Rita Blanco é outra das convidadas e estará à conversa com Patrícia Pillar, assim como o jornalista e escritor Rui Cardoso Martins, que escreveu a peça “Última Hora”, incluída na temporada do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, que conversará com os irmãos cineastas Afonso e Bernardo Rapazote.

“Dois irmãos gémeos, o Afonso e o Bernardo, naturais de Viseu, que se têm destacado no mundo do audiovisual", evidenciou Jorge Sobrado, recordando a seleção do filme de ambos "Corte", para o programa Cinéfondation do Festival de Cannes.

Os autores Dionísio Vila Maior e Jorge Marques têm sessões marcadas para apresentarem os seus livros, assim como Isaque Ferreira e Rui Spranger, que têm agendado um espetáculo de poesia para a noite do dia 5.

De 4 a 6 de dezembro, há igualmente destaque para sessões com o viseense Alberto Correia, que apresentará uma edição municipal “Viseu Sabe Bem”, em conversa com o chef Diogo Rocha e o historiador Luís Fernandes.

Esta sessão sucede à abertura dos encontros literários, que está agendada para as 18h00 do dia 4, com uma sessão orientada por Mário Augusto, que “fará uma espécie de quiz à volta do cinema e da literatura”.

O produtor dos "encontros", Tito Couto da Booktailors, não poupou elogios à Câmara de Viseu por manter a iniciativa num ano de pandemia, e considerou que, “com esta edição digital, o festival chegará a novos mercados e a outras latitudes do mundo lusófono”.

O presidente da Câmara, Almeida Henriques, acrescentou que o festival “vai muito além do mundo lusófono, porque também chegará aos estudantes e amantes da língua portuguesa” e “de forma segura, porque é na segurança da casa de cada um, no quentinho da lareira, com a família, num fim de semana diferente”.

“É um convite para ficar em casa em tempos de pandemia. Um fim de semana em que poderemos fazer quase tudo o que temos feito nos anos anteriores, no Solar do Vinho do Dão, mas desta feita em casa, na nossa segurança, a degustar a nossa comida e o nosso vinho do Dão”, desafiou o autarca.

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