28 Set
Viseu

António Dinis

OPINIÃO

Aulas presenciais em tempos de pandemia

Parece óbvio que as aulas não presenciais, e todo o processo de avaliação sequente em tempos de pandemia, não conseguem atingir os mesmos objetivos de aprendizagem do que sucedia em tempos de normalidade.

11 de Agosto de 2020, 16:00

CLIPS ÁUDIO

Parece óbvio que as aulas não presenciais, e todo o processo de avaliação sequente em tempos de pandemia, não conseguem atingir os mesmos objetivos de aprendizagem do que sucedia em tempos de normalidade. Ficou muito claro que as desigualdades entre os diferentes meios socioeconómicos dos alunos se acentuaram, pese embora tal possa não vir refletido nos resultados das avaliações nas escolas e dos exames nacionais. De facto, tornar os exames mais fáceis, fazendo artificialmente um aumento das avaliações dos exames nacionais, parece agradável para os interessados, mas na realidade é uma mistificação dos conhecimentos adquiridos no processo de ensino/aprendizagem.
Para o próximo ano letivo as instruções para as escolas são para que hajam aulas presenciais em todos os níveis de ensino. Oxalá tal possa ocorrer. Terão de ser garantidas as condições de segurança para toda a comunidade educativa, embora algumas medidas propostas sejam difíceis de implementar. Sabemos do número elevado de alunos por turma, sabemos das condições precárias de algumas escolas, mas a segurança deve ser assegurada durante a presença dos alunos na escola ao longo do ano letivo. Os pais e os encarregados de educação têm de ficar tranquilos durante este processo, embora todos tenhamos a consciência de que o risco zero não existe quando uma eventual transmissão comunitária venha a ocorrer em determinados territórios. Em setembro, as máscaras, a higienização das mãos e dos espaços, e algum distanciamento social são as medidas possíveis para o ensino presencial em segurança.
No ensino superior, a opção pelo designado blended learning vai fazer o seu caminho, com uma maior ou menor percentagem de aulas online de acordo com as tipologias das diferentes Unidades Curriculares de cada curso. O esforço que está a ser feito pelas Universidades e Politécnicos para poderem garantir um ensino de qualidade nestas novas condições é muito significativo, mas todos estão conscientes de que este novo normal não permite a mesma experiência académica para os alunos. Uma componente muito importante do percurso académico e profissional dos alunos do ensino superior é o trabalho em equipas multidisciplinares, o estágio nos anos finais em empresas ou outras organizações, e a sociabilização entre os colegas, quer seja nos campi, quer seja nas próprias comunidades onde ficam a residir. Ora isto em tempos de pandemia será necessariamente alterado. Que consequências terá, só mais tarde se poderá avaliar. Esperemos que isto tudo passe depressa! 

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