27 Jun
Viseu

Jorge Marques

OPINIÃO

A aventura do aprender

Durante esta quarentena assisti a algumas aulas por computador e cheguei até a dar uma delas

25 de Junho de 2020, 14:33

CLIPS ÁUDIO

Durante esta quarentena assisti a algumas aulas por computador e cheguei até a dar uma delas. Tenho pensado muito nisto, lembrando-me também do meu tempo de aluno e de professor, quando os alunos adultos já só iam às aulas presenciais um dia por semana. Interrogo-me sempre, nós aprendemos para a escola ou aprendemos para a vida? Um dia responderam-me que aprendendo para a vida, a vida ensina-nos para a escola! Mais até…Que os alunos brilhantes deviam fazer coisas fora da escola. O mesmo devia acontecer com as Juventudes Partidárias enquanto escolas da política. Eles deviam fazer trabalho com os adultos e nas comunidades.

Um dia deram-me um bom exemplo, que era preciso tratar o alimento intelectual da mesma forma que os grandes Chefes de Cozinha tratam o alimento comum. Não basta ir ao supermercado da informação, não basta saber, precisamos fazer e mudar, transformar a informação de base.

Mas a grande lição aprendi-a um dia em Oxford, quando ouvi o que era essa grande aventura do aprender: Era despertar a curiosidade; respeitar o conhecimento anterior, a história das coisas; procurar até ter uma resposta; dedicar-se e cooperar; mudar e fazer de novo; criar e ser proactivo; estar motivado e nunca desistir; saber sempre mais do que aquilo que nos ensinam; querer saber como tudo funciona; querer fazer e aplicar o que se aprende; desvendar aquilo que não se conhece; conhecer-se bem e conhecer bem o outro até chegar á empatia.

Era com estes saberes, este conhecimento e atitude que as pessoas mais velhas ou mais novas deveriam sair das escolas. O outro saber muda e no fim só fica a curiosidade de procurar o novo e respeitar o velho. Isto é bem diferente de um ensino onde só corre a informação e falta o essencial. A escola, qualquer que ela seja, serve para formar Homens e Cidadãos de corpo inteiro, esses de que tanto precisamos. Ganhar dinheiro é pouco e nem sequer é profissão…

Agora reduziram as horas á disciplina de história, talvez para apagar as memórias e olharmos o mundo de boca aberta, sem perspetiva histórica e como se tudo fosse novidade.

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