01 Jun
Viseu

António Leitão Amaro

OPINIÃO

"Sou favorável ao estado de emergência"

"Sou favorável ao estado de emergência"

20 de Março de 2020, 00:00

CLIPS ÁUDIO

A pandemia do Coronavírus é uma surpresa que supera todas as expetativas?

Há pouca gente viva que tenha passado por uma aflição coletiva como a que estamos a viver. Que todos tenhamos a consciência de que esta é uma situação muito preocupante.

Se ainda fosse deputado votava a favor do estado de emergência?

Se continuasse deputado seria pelo PSD e o líder do Partido já disse que era favorável. É preciso perceber a necessidade de um esforço enorme, incluindo ficarmos fechados em nossas casas, para impedir que muita gente seja contaminada. Se houver muita contaminação, o Sistema Nacional de Saúde (SNS) não terá capacidade para dar resposta a tudo. Temos que conter os contactos para reduzir as hipóteses de contaminação.

Mas os portugueses têm respondido aos apelos e pedidos das autoridades?

Sim, depois de dois ou três dias. No início, as pessoas pensavam que isto era uma “brincadeira” e foram para a praia, centros comerciais, bares, discotecas, etc. Depois tomaram consciência e têm tido um comportamento notável.

Para a forma como se espalhou pelo mundo poderá ter ajudado aquela ideia inicial, principalmente aqui na Europa, de que a Covid-19 era um problema da China que fica lá muito longe?

Houve, claramente, uma falha clara no tempo de resposta, a começar nas autoridades chinesas. Há uma discussão e análise que têm sido feitas sobre os benefícios de regimes mais autoritários como a China devido às suas elevadas taxas de crescimento e comparando com a Europa e EUA. Aqui está uma prova de que há riscos sérios desses modelos autoritários que, no início desta pandemia, foram incompetentes a lidar com ela e até a esconder o que se passava e ajudou a que o mundo não se apercebesse da gravidade do problema.

O atraso na resposta não foi também derivado ao facto de não querermos pôr em causa a chamada economia global?

A rapidez do contágio poderá ter a ver com as economias mundiais cada vez mais integradas. Mas não podemos esquecer a prosperidade e o acesso a bens que essa organização mundial nos proporciona. O que é preciso definir é se uma economia aberta deve ser completamente desregulada. A resposta é não. Tem que haver regras e sistemas de controlo e resposta rápida para situações mais graves como esta que surjam em qualquer parte do mundo.

Para além da principal preocupação que é a saúde, há também a recessão económica que aí vem. As ajudas anunciadas pelo Governo são suficientes ou vai ser necessário muito mais?

Que vai haver um enorme choque económico já ninguém tem dúvidas. Há empresas que vão fechar e o desemprego aumentar mais. O impacto vai ser diferente, de acordo com os setores de atividade. As empresas precisam de sobreviver ao período em que, eventualmente, estejam fechadas. Nesta altura, ninguém sabe quanto tempo vai ser. Há empresas que se ajustam através do teletrabalho, mas há outras que não conseguem. Nas grandes indústrias isso é impossível. Há empresas que não conseguem produzir porque não têm matéria-prima. Há depois um choque na procura, porque não há quem compre. É uma cadeia com vários reflexos na atividade económica.

Que resposta e ajuda têm de ser dadas?

Há uma resposta nacional, que o Governo português já iniciou, mas há também uma estratégia que deve ser coordenada e acertada ao nível da Europa. As respostas concertadas da Europa costumam demorar e nesse período há muita gente que sofre. Vamos esperar que, desta vez, a comunidade europeia seja mais rápida. É importante que exista uma grande colaboração e entendimento entre governos, bancos centrais, sistemas de segurança social, banca…

O que é que a Covid-19 alterou na sua vida?

Estou em casa com a esposa e dois filhos pequeninos. Só saio para fazer compras, respeitando as regras de segurança.

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