28 Set
Viseu

António Vilarigues

OPINIÃO

Um vírus com a chancela da luta de classes

Com a epidemia COVID-19 ficou exposta de forma brutal a natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva do capitalismo e o seu carácter profundamente desumano.

09 de Agosto de 2020, 10:35

CLIPS ÁUDIO

Com a epidemia COVID-19 ficou exposta de forma brutal a natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva do capitalismo e o seu carácter profundamente desumano. É inegável o impacto do surto epidémico na vida económica e social do País.
À resposta necessária, quer no plano da prevenção da saúde pública, quer no plano clínico, somam-se as exigências para enfrentar as suas consequências ao nível da actividade económica, da redução da produção e dos problemas sociais a elas associados.
Problemas esses avolumados pelo aproveitamento do grande capital para, a pretexto da epidemia, aumentar a exploração, liquidar direitos, garantir lucros, concentrar e centralizar capital.
Os impactos do surto epidémico somam-se a problemas e défices estruturais acumulados por décadas de política de direita executada por sucessivos governos PS, PSD e CDS.
Privatizaram empresas e sectores estratégicos. Destruíram e degradaram grande parte da capacidade produtiva nacional. Reduziram drasticamente o investimento público. Fragilizaram serviços públicos essenciais. Impuseram os baixos salários e a precariedade laboral.
Promoveram a exploração dos trabalhadores. Avolumaram a dependência externa.
A realidade sócio-económica do País exige uma resposta que não se encontra nas opções do
Governo. Milhares de despedimentos. Cerca de um milhão de trabalhadores com cortes no salário. Perda de meios de subsistência de milhares de trabalhadores, muitos deles por conta própria ou em situação informal. Arbitrariedade nos horários e condições de trabalho. Liquidação da actividade de milhares de micro, pequenas e médias empresas (MPME). Ruína de pequenos produtores. 

Condicionamento da actividade produtiva e do escoamento da produção

A transferência de recursos públicos para o capital monopolista é expressão das opções de
classe prevalecentes.
São disso exemplo a escandalosa entrega de mais 850 milhões de euros para o Novo Banco e para o fundo especulativo que o detém. A drenagem de verbas ao abrigo do lay-off para grupos económicos multinacionais (que não se eximem à sua utilização para a aquisição de activos ou distribuição de dividendos pelos seus accionistas). A isenção de pagamentos das empresas à Segurança Social, afectando o seu financiamento. A manutenção de prerrogativas para os detentores de PPP.

Neste quadro, emerge com particular acuidade a importância de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que inscreva o desenvolvimento económico, o progresso social e a afirmação da soberania nacional como condições e objectivos essenciais ao futuro de Portugal.

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