28 fev
Viseu

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Cultura

Magazine Teatro Viriato | De luz acesa

CLIPS ÁUDIO

2021

De luz acesa | T3 Ep1


De luz acesa

Este ano, o Teatro Viriato escolheu o dia 17 de janeiro – data do aniversário da arte, segundo o artista Robert Filliou do movimento Fluxus, que também nasceu neste dia– para iniciar a sua temporada. Nomeámos Ernesto de Sousa para padrinho artístico, um artista pluridisciplinar e um equilibrista entre artes, e celebrámos o nascimento da arte, brindando ao seu futuro e convidando vários parceiros de longa data e novos cúmplices para se juntarem à festa. 

Queríamos brindar ao vivo, na vossa companhia, mas mais uma vez as portas físicas do Teatro fecharam na mesma altura em que iniciámos um novo ciclo.
Mais uma vez os tempos nos exigem que ocupemos o espaço da possibilidade com toda a elasticidade do nosso músculo da imaginação. 

E assim faremos. Mantendo sempre a luz acesa no palco. Continuando a manifestar-nos sem colocarmos ninguém em causa, mas também sem perder a voz. 
Como o fez Ernesto de Sousa, quando anunciou a nossa revolução brindando à liberdade antes do tempo e organizando o primeiro aniversário da arte, também a 17 de janeiro, mas de 1974, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra.
Como o fizeram tantos artistas, sem rede mas também sem pejo, como se não houvesse amanhã, correndo todos os riscos para dar voz às nossas ansiedades e desejos. 

Em março passado não estivemos em sintonia com os tempos. Fomos apanhados de surpresa por uma pandemia e tentámos responder ao que nos acontecia com todas as ferramentas que tínhamos. Mas hoje, em janeiro de 2021, temos nas mãos um programa para este trimestre que já foi desenhado durante e para estes tempos que vivemos. Em março de 2020, a prioridade era reagir, fazer, mesmo que de forma imprecisa e com poucos meios, e manter o canal de comunicação entre artista e espectador sempre aberto, para que ambos mantivessem o diálogo. Hoje não podemos programar como se não houvesse pandemia, como se não acordássemos todos os dias com uma incerteza muito grande, como se quiséssemos voltar atrás a um tempo que já não é como era. Nesta abertura de 2021, e em novo confinamento, o importante é aceitar a mudança, ouvir e ser ouvido, criando em conjunto espaços para nos encontrarmos e para agirmos, conscientes, sobre uma transformação necessária e urgente.

O futuro é incerto. Na verdade, sempre o foi. E como sempre, a arte e os seus devotos artistas continuarão a respirar, a ensaiar, a compor e a entregarem-se com toda a garra a este lugar tão frágil que é o mundo.

E uma casa como o Teatro Viriato será, sempre que necessário, o casulo, o refúgio ou o laboratório de todas as alquimias futuras.

 

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