19 jan
Viseu

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Maria de Belém Roseira, Associação Dignitude

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2020

Maria de Belém Roseira, Associação Dignitude

A crise pandémica levou a Associação Dignitude, criada em 2015, a reforçar o apoio na aquisição de medicamentos através do programa ABEM. Uma iniciativa que abrange também a região de Viseu. A fundadora da associação, Maria de Belém Roseira, fala da atividade


Em que consiste a Rede Solidária do Medicamento?
Consiste num cartão que permite ao beneficiário, em qualquer farmácia associada e identificada (mais de 900 no país incluindo as ilhas), aviar os medicamentos prescritos pelo médico e não tendo de suportar a parte não comparticipada pelo Estado. É um projeto solidário.

Sem este apoio muitas receitas não seriam aviadas por dificuldades financeiras…
Sim, começou a acontecer a partir da crise de 2011. Acontece com pessoas de todas as idades. As pessoas em idade ativa são o mais numeroso grupo de beneficiários e também os mais velhos. Há uma coisa que temos de pensar: amanhã podemos ser nós a necessitar de apoio.

Com a pandemia, o programa ABEM teve uma maior procura?
Nos últimos tempos estávamos a conseguir baixar um pouco os níveis de pobreza mas a pandemia veio pôr tudo em causa. Tentamos cobrir necessidades de pessoas que, de repente, se viram sem quaisquer rendimentos. Os pedidos de ajuda aumentaram bastante. Até final de junho apoiamos 16 072 beneficiários, a nível nacional, e no ano passado eram cerca de 12 mil. A subida foi muito acentuada.

E na região de Viseu quantas pessoas beneficiam do apoio da Rede solidária do medicamento?
Temos 122 beneficiários através de 11 parcerias. Entre elas com a Junta de Freguesia de Viseu e os municípios de Mangualde, Castro Daire, Mortágua, Oliveira de Frades, Nelas, Penedono e Tabuaço. Também em parceria com o Centro Paroquial de Canas de Senhorim, com o GAT (Grupo de Ativistas em Tratamento) e com a Associação Mãos Unidas Padre Damião em Carregal do Sal. Se mais entidades do distrito se juntar ao programa mais pessoas podem ser apoiadas. 

É sempre difícil assumir que se precisa de ajuda, não é?
Sim, às vezes significa abdicarmos de tudo aquilo que era a nossa auto estima e o respeito por nós próprios.

Ligada às áreas da saúde e apoio social que conselho dá nesta altura de pandemia?
Devemos pensar que esta situação só melhorará quando surgir um tratamento eficaz para a doença ou encontrarmos uma vacina. Esta pandemia é um conjunto de incertezas. Se nós não queremos adoecer temos de nos proteger lavando as mãos, acabar com os comportamentos de risco de aproximação a pessoas que não conhecemos, porque não sabemos se estão livres ou não. Também devemos adotar comportamentos que sejam de prevenção como o uso da máscara.

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