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por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Jorge Marques
“Quem chegar a Viseu pelo caminho de ferro do Vale do Vouga ou pelo da Companhia Nacional, servidos ambos por uma estação comum, de pobre aspeto arquitetónico, deixada esta, encontrar-se-á num pequeno largo que dá ligação para a Avenida Capitão Homem Ribeiro e para a nova Avenida António José de Almeida, ainda em construção”.
É com a menção a esta nova avenida, que viria a ligar a estação de comboio ao Rossio, que o guia da “Antiga e Nobilíssima Cidade de Portugal” – Viseu – tem início. Publicado em 1931 pela tipografia Porto Médico, este guia foi criado pela Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu. As fotografias do guia foram captadas por João C. Coutinho e Octávio Bobone.
Uma viagem no tempo com quase cem anos, a uma cidade que se restringia a pouco mais do que a zona histórica e o bairro novo (ficaremos a saber mais à frente que novo bairro é este). Ao longo de 22 páginas, os visitantes da cidade eram guiados pelas mais variadas artérias de Viseu. O guia dá especial atenção ao Museu Grão Vasco, que na altura partilhava o espaço contíguo à Sé de Viseu, conhecido como “Colégio” ou “Paço dos Três Escalões”, com o Governo Civil, a Biblioteca Municipal e a Junta Geral.
Quem chegasse a Viseu em 1931 de automóvel, podia aceder à cidade através de vias como a “estrada do Sátão”, a “estrada de Mangualde” ou a “estrada de São Pedro do Sul”, numa época em que Itinerários Principais e Autoestradas eram apenas sonhos distantes. Locais como o Largo Mouzinho de Albuquerque – também conhecido como Largo do Soldado Desconhecido – eram muito diferentes em relação aos nossos dias. Falando neste largo em específico, o Teatro Viriato teria de esperar mais sete décadas até ser inaugurada e a Estátua do Soldado Desconhecido, designada na altura como Monumento aos Mortos da Guerra, esculpida por Anjos Teixeira, tinha sido colocada há apenas três anos no local onde perdurou até aos dias de hoje.
A Escola Secundária Emídio Navarro era conhecida como Escola Industrial e Comercial Dr. Azevedo Neves – nomenclatura que perdurou entre 1930 e 1948. Antes e depois deste período, a instituição era conhecida como Escola Industrial e Comercial de Viseu.
O acesso ao Fontelo fazia-se por duas maneiras. Por um caminho que passava dentro do pórtico do século XVI, hoje exibido junto à rotunda do Fontelo, ou pela “nova Avenida José Relvas, em construção”. Seguindo pela avenida, o acesso ao Fontelo era feito por “um lindo portão de granito, do arquiteto Raul Lino”. A casa que atualmente fica no centro do Fontelo, junto da Fonte de São Jerónimo, foi residência episcopal até 1911. “Não tem o menor interesse arquitetónico e hoje está transformado em caserna e casa de reclusão. Ali esteve prêso, com outros oficiais, Machado Santos”, lê-se no guia, numa referência a uma das figuras da Implantação da República.
Próxima do Fontelo e mencionada no guia de 1931 estava a igreja de São Miguel do Fetal. Reconstruída no século XVIII, esta igreja possui no interior “um pequeno túmulo de granito, que segundo a tradição, passa por ser a sepultura de D. Rodrigo, último rei dos Godos”.
“Voltando à rua João Mendes vê-se, quási no extremo, a Casa das Bocas, edificação do século XVIII”, continuava a explicar o guia turístico. O documento detalha ainda como a casa (e consequentemente a rua) ficou com esta designação, uma vez que possuía nos beirais várias gárgulas de granito provenientes da Sé de Viseu.
Já em relação à Rua Formosa, que à data tinha circulação automóvel, esta possuía “bons estabelecimentos comerciais e os elegantes edifícios, propositadamente construídos, das agências do Banco de Portugal e Banco Nacional Ultramarino”. Além disso, a rua detinha ainda a “Praça 2 de Maio” e o “Grémio de Viseu”.
Na década de 1930, a igreja da Ordem Terceira de S. Francisco tinha ainda, a seu lado, o antigo Convento de Santo António, “há muito transformado em Quartel de Infantaria”. A norte do Rossio, um “terreno inclinado e ajardinado, pela casa pitoresca, toda revestida de flores e trepadeiras, do Senhor F. de Almeida Moreira, diretor do Museu de Grão-Vasco”, informava o guia, numa referência à (atual) Casa-Museu Almeida Moreira. O documento mencionava também a existência, a quem fosse da “Rua de S. Martinho, cortando à direita”, do “Hospital Civil, esplêndida e vasta construcção do século passado”. Esta é uma referência ao antigo Hospital de São Teotónio, atualmente transformado na Pousada de Viseu.
Perto do Rossio, durante a década de 1930, havia todo um bairro que tinha sido construído recentemente, conhecido por Bairro de Massorim. “As suas artérias principais são: a Avenida Alberto Sampaio, que liga com a estrada de Vil de Moinhos e a Rua Miguel Bombarda, que dá acesso à parte alta do bairro”, detalha o guia da Comissão de Iniciativa e Turismo de Viseu.
O documento termina com várias sugestões de locais, nos arredores da cidade, dignos de visita. Entre eles estão o alto de Santa Luzia, com um “lindo ponto de vista no alto dum velho castro”, o Convento de Orgens, seguindo pela “estrada de Vil de Moinhos e passada esta povoação cortar à direita”, ou a Quinta de Marzovelos, acessível por um “caminho por detrás do quartel” e com um “jardim interessante do século XVIII muito abandonado”.