12 Jun
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"Desvio" de helicóptero do INEM para Loures era "medida de poupança"

por Redação

06 de Junho de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

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O “desvio” do helicóptero do INEM de Viseu para Loures, que acabou por não acontecer, era uma medida de “poupança” para a empresa operadora deste meio aéreo. No início da semana o INEM anunciou que a aeronave ia ser reposicionada no aeródromo de Salemas, na zona de Lisboa, mas, dois dias depois, ficou “o dito por não dito”. Ao que o Jornal do Centro conseguiu apurar, a empresa operadora – Babcock – pretendia que o helicóptero fosse para Loures que é a base onde está sediada a empresa inglesa em Portugal. Assim, poupava nas deslocações dos pilotos e na manutenção. Também ajudava a “recrutar” mais profissionais que preferem ficar nas grandes cidades. Contactada sobre a decisão, a empresa remeteu qualquer esclarecimento para o INEM.

Se o helicóptero tivesse sido deslocalizado, a região centro ficava sem socorro diferenciado, uma vez que o meio aéreo mais próximo está estacionado em Macedo de Cavaleiros, a norte de Portugal.

O contrato entre a Babcock e o Instituto Nacional de Emergência Médica tem sido questionado e o mais recente episódio colocou-se precisamente com a permanência do helicóptero em Viseu, depois de anos sediado em Santa Comba Dão onde estava a sua base permanente.

Em outubro de 2019, depois de várias polémicas sobre a certificação da helipista de Santa Comba Dão e a falta de condições para uma descolagem e aterragem seguras, a aeronave acabaria por ser reposicionada em Viseu. Uma das exigências foi o helicóptero ter um hangar para “pernoitar”, uma solução que acabou pro ser encontrada junto da escola aeronáutica IFA - Aviation Training Center – que cedeu as instalações. Mas, em fevereiro deste ano, a escola avisou que iria precisar do hangar para os seus aviões porque iria dar início a novos cursos. Logo na altura, como noticiou o Jornal do Centro, o INEM disse que se “encontrava a trabalhar várias possibilidades, em articulação com outras entidades, para encontrar a melhor solução”. Entretanto, o país entrou em estado de emergência por causa da Covid-19, as atividades pararam e o helicóptero continuou a ocupar o hangar.

 

Sai e não sai

 

Na retoma, o problema voltou-se a colocar. A escola precisa do hangar para ministrar os cursos, a empresa operadora não queria que o helicóptero ficasse “na rua”.

A 1 de junho o INEM, através de comunicado, anunciou então que este meio aéreo seria reposicionado em Loures. Uma decisão que apanhou autarcas e direção do aeródromo de surpresa. Nesse dia, o presidente da Câmara de Viseu disse que se fosse necessário avançaria com uma providência cautelar para impedir a saída. No dia seguinte, foi a vez dos autarcas com representatividade na Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões exigirem explicações ao Presidente do INEM, enquanto que na Assembleia da República os grupos parlamentares avançavam com perguntas ao Governo. Dois dias depois, é a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, a dizer que afinal o helicóptero do INEM mantinha-se em Viseu. No comunicado que o Instituto, entretanto, publicou, foi esclarecido que o reposicionamento “não se justificava por qualquer questão relacionada com o Aeródromo Municipal de Viseu, mas porque a empresa IFA - Aviation Training Center - iria iniciar a sua actividade, momento que tinha sido previamente definido como limite para que o helicóptero pudesse permanecer nas instalações da referida empresa”.

Depois do anúncio e da tomada de posições, nomeadamente dos autarcas da Região Centro, contra esta saída, o INEM esclarece que foi “possível chegar a um entendimento para que o helicóptero permaneça nas instalações da empresa”.

"No espaço de 24 horas conseguimos reverter uma decisão que era inadmissível para este território. Com um diálogo franco e aberto chegou-se à conclusão que o helicóptero é aqui preciso", realçou Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu.

Já antes, quando ainda estava em cima da mesa a deslocalização, também o autarca de Aguiar da Beira, Joaquim Bonifácio, classificava a saída de um “absurdo”. O presidente da Câmara lembrou que o concelho que lidera tem uma helipista que sofreu obras no valor de meio milhar de euros e “com todas as condições para receber qualquer aeronave”.

Já José Requeijo, representante da Liga de Bombeiros no distrito, considerava incompreensível a saída do helicóptero do INEM da região. “É uma decisão fora do contexto do que se quer de um meio aéreo de primeira intervenção. Vamos ficar aqui com um vazio de cobertura muito grande e pode pôr em causa o socorro às vítimas e a quem necessitar da sua intervenção”, disse, na altura, o também comandante dos Voluntários de Moimenta da Beira, lembrando que a região é atravessada por vários vias de comunicação com bastante trânsito, nomeadamente o IP3 e a A25.

 

De regresso a Santa Comba Dão

 

Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, Hélder Costa, afirmou também estar preocupado com a falta de uma resposta na área do socorro no distrito, mas otimista que a aeronave regresse “à casa mãe”.

Para já, o helicóptero permanece no Aeródromo de Viseu e o INEM diz que “o Instituto retomará as operações a partir de Santa Comba Dão, desde que sejam cumpridos todos os requisitos legais e que esse heliporto seja certificado como Base Permanente para emergência médica”.

Entretanto, o Heliporto de Santa Comba Dão localizado no Quartel dos Bombeiros Voluntários vai ser alvo de intervenções para corrigir as “inconformidades” que levaram à saída do helicóptero. As entidades locais garantem que a certificação da pista pode estar para breve.

Ao que o Jornal do Centro apurou, nas últimas semanas, esteve a ser preparado o dossier da certificação que deverá ser entregue dentro de duas semanas. A palavra final vai pertencer à Associação Nacional de Aviação Civil.

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