Carlos Eduardo

11 de 02 de 2024, 11:02

Desporto

Pedro Silva sonhou e Mortágua pedala há 25 anos.''Continuamos a trabalhar para lhe honrar a memória''

O antigo ciclista quis e a equipa nasceu. Foi em 1999 que levou avante o Mortágua Clube duas rodas. Ao longo do quarto de século, a equipa teve ligeiras alterações no nome, mas, familiares, ciclistas e amigos garantem que os princípios e valores jamais vão mudar. De Pedro Silva recordam o pensamento futurista, a ambição e o profissionalismo. Equipa teve um 2023 histórico com Volta a Portugal memorável. Para o futuro, em Mortágua todos querem que a semente deixada pelo fundador continue a dar frutos

pedro silva tavfer

Em 1999, Pedro Silva tinha encostado a bicicleta há um ano. A carreira de ciclista profissional que durou década e meia, com 105 vitórias no palmarés, 12 das quais em etapas da Volta a Portugal, consagrou-o como um dos que ficará na história da modalidade por cá. Mas o antigo ciclista quis mais. E apostou na terra que o viu nascer para dali fazer brotar uma equipa profissional de ciclismo. As bases foram lançadas e os nomes da equipa até foram mudando, mas os valores, garante quem o conheceu bem, mantém-se até aos dias de hoje.

Além de um clube a respirar ciclismo, Pedro Silva deixou no filho Xavier um discípulo da modalidade. Hoje, Xavier e a mãe, Leonor, dão alma à equipa, depois da partida do pai e do marido, em 2021. “O meu pai construiu todo o projeto. Começou do zero. E logo de início foram marcados os valores do profissionalismo, dedicação, que ele colocava em tudo. Deixou-nos tanto. Alguns dos sonhos dele já foram concretizados, outros ainda não. Mas certamente que vamos trabalhar nesse sentido: para lhe honrar a memória. Espero que esteja orgulhoso do que estamos a fazer”, começa por dizer Xavier Silva, emocionado.

“Fez-me acreditar de que um dia poderia ser ciclista profissional e um dos melhores de Portugal”, lembra Gonçalo Carvalho

Como que um amigo de todas as horas, a imagem de Pedro está sempre na memória do filho. “A maior mágoa que eu e a minha mãe sentimos é a de o meu pai não ter assistido aos mais recentes êxitos. Aquilo pelo qual ele tanto lutou durante tantos anos. Não o podermos abraçar… Mas se conseguimos os feitos foi graças a ele. Por tudo o que fez pelo clube e como nos deixou a equipa. Temos de lhe estar gratos”, sublinha. “É por ele que pedalamos. Queremos honrá-lo e dignificá-lo. Está sempre nos nossos pensamentos: nos bons e nos maus momentos. Sempre”, evidencia Xavier Silva.

Nestes anos em que a equipa de Mortágua - popularmente conhecida mais recentemente por Tavfer, foi lutando por ganhar espaço entre os demais ciclistas e pelotões, há um nome que se tem afirmado. “É a minha segunda casa”, explica Gonçalo Carvalho. Ao recordar o mestre, o ciclista que entrou na Tavfer em 2008, lembra-lhe a capacidade de pensar mais à frente. “O forte do Pedro era a visão de futuro. Daí a equipa ter crescido rapidamente e ter conquistado o que conquistou até hoje”, elogia Gonçalo. Além da visão de futuro, o ciclista relembra de Pedro Silva rotinas de profissionalismo, foco e ambição.

“Valores que nos levaram até aos dias de hoje”, vinca. “Fez-me evoluir muito enquanto pessoa e atleta. Atualmente sou profissional e sigo a linha dele no treino e na recuperação. Ensinou-me a ser assim”, assume. Nas últimas memórias, Gonçalo Carvalho não esquece as palavras de Pedro Silva. “Fez-me acreditar de que um dia poderia ser ciclista profissional e um dos melhores de Portugal. Ainda hoje acredito e luto por isso”, afirma.

(Ler mais na edição impressa desta sexta-feira, 9 de fevereiro, do Jornal do Centro)