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15 de 05 de 2024, 16:29

Diário

Aeroporto: Viseu aceita interesse nacional acima do regional e luta por ferrovia

Fernando Ruas gostaria que o novo aeroporto fosse mais perto da região, mas aceita decisão de Alcochete. Presidente da CIM Viseu Dão Lafões quer ferrovia "o mais rápido possível"

Fernando Ruas

Fotógrafo: Jornal do Centro

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas, disse que gostaria que o novo aeroporto fosse mais perto da região, mas aceita o superior interesse nacional e agora quer ferrovia em breve.

“Sempre gostaria que o aeroporto fosse o mais próximo de Viseu possível, portanto, quanto mais a norte fosse melhor. Mas, naturalmente, aceitamos o estudo de uma comissão que nos foi dada como independente”, disse o também presidente da Câmara de Viseu, em resposta à decisão da localização do novo aeroporto em Alcochete, anunciada pelo Governo.

Fernando Ruas acrescentou ainda que os autarcas de Viseu Dão Lafões querem “acreditar que, enquanto comissão independente, fez o melhor para o país e, naturalmente, acima da região está o país”.

“Se a comissão independente dissesse que seria indiferente o novo aeroporto ficar situado na zona A ou B, naturalmente nós iríamos lutar por o local que fosse mais perto da nossa região, porque a zona Centro não tem qualquer aeroporto”, defendeu.

Fernando Ruas defendeu ainda que “poderia haver um outro aeroporto - de uma outra dimensão, claro - na parte do país a descoberto, como é o Centro, já que Porto, Lisboa, Beja e Algarve” estão servidas.

“Mas o importante é que este novo aeroporto, reivindicado há mais de 50 anos, já tem uma decisão”, destacou Fernando Ruas.

Agora o “apelo é para que a ferrovia seja também resolvida rapidamente, porque, neste momento, a região tem uma série de constrangimentos com os aeroportos longe e sem acesso rápido” a outras zonas.

“Se houver uma ligação rápida, o aeroporto estar em Santarém ou em Benavente também não é por aí. Agora, não temos é nenhuma ligação rápida e o que há de responder a isso é o corredor ferroviário, o chamado Atlântico”, apontou.

O corredor entre Aveiro, Viseu e Salamanca é que, no seu entender, dará resposta, quer ao aeroporto do Porto, quer, no futuro, com ligação ao TGV, ao novo aeroporto Luís de Camões, ou seja, não tendo aeroporto mais próximo, pelo menos que haja ferrovia”.

“E que seja o mais rápido possível. Queremos que seja cumprido o plano nacional ferroviário, que aponta o limite para 2050, mas não impede uma decisão mais rápida. Isso para nós é que era importante, que fosse decidida mais rapidamente”, defendeu.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta terça-feira (14 de maio) que o Governo aprovou a construção do novo aeroporto da região de Lisboa em Alcochete, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente (CTI).

"O Governo decidiu aprovar o desenvolvimento do novo aeroporto de Lisboa com vista à substituição integral do Aeroporto Humberto Delgado no campo de tiro de Alcochete e atribuir-lhe a denominação de Aeroporto Luís de Camões”, afirmou Luís Montenegro, numa declaração ao país, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

A CTI publicou no dia 11 de março o relatório final da avaliação ambiental estratégica do novo aeroporto, mantendo a recomendação de uma solução única em Alcochete, a mais vantajosa, ou Vendas Novas, apontando ainda que Humberto Delgado + Santarém poderia ser uma solução transitória.

O PSD decidiu constituir um grupo de trabalho interno para analisar a localização do novo aeroporto de Lisboa, depois de ter acordado com o PS a constituição de uma CTI para fazer a avaliação ambiental estratégica. Luís Montenegro garantiu, antes de ser eleito, que a decisão seria tomada “nos primeiros dias” de Governo.