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03 de 03 de 2024, 20:25

Diário

Eleições: Fernando Ruas acusa António Costa de "rasteira ao Seguro"

Comício da Aliança Democrática (AD) decorreu este domingo no Expocenter, em Viseu. Fernando Ruas e Nuno Melo recorreram à linguagem futebolística para responder ao ex-secretário-geral do PS. Montenegro diz que “verdadeira etapa começa dia 11”

Fernando Ruas

O autarca do PSD Fernando Ruas e o presidente do CDS-PP, Nuno Melo, responderam hoje a António Costa, afirmando que foi ele quem "saiu do campo" e acusando-o de ter começado o jogo com "uma rasteira ao Seguro".

Num comício da Aliança Democrática (AD) no Expocenter, em Viseu, Fernando Ruas e Nuno Melo recorreram à linguagem futebolística para responder ao ex-secretário-geral do PS e ainda primeiro-ministro, que no sábado comparou a interrupção da atual legislatura a um jogo suspendido aos 40 minutos.

Em noite de jogo entre Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica, o vice-presidente do PSD, António Leitão Amaro, também utilizou uma metáfora desportiva ou militar, mas tendo alvo o atual secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos: "Um Governo não é um campo de treino para os incompetentes".

António Leitão Amaro, cabeça de lista pela AD no círculo de Viseu, destacou que no comício do PS no Porto o primeiro-ministro considerou que Pedro Nuno Santos "não pode prometer o que lhe vai na alma, porque tem um custo", o que na sua opinião quer dizer: "Ai meu Deus, se ele faz o que quer".

Fernando Ruas, o primeiro a discursar, criticou António Costa por ter formado Governo em 2015, com o apoio dos partidos à sua esquerda, quando o PS ficou em segundo lugar nas legislativas: "No futebol também se diz que quem ganha o campeonato é quem faz mais pontos. Não é quem se alia aos últimos da tabela para derrubar o Governo, não é assim"

"Só se esqueceu que também no futebol não se deve passar rasteiras. E foi aí que ele começou, começou com uma rasteira ao Seguro" e depois quis ganhar o jogo quando o perdeu. Foi exatamente assim que fez com o PSD", disse ainda o presidente da Câmara Municipal de Viseu.

O presidente do CDS-PP, por sua vez, responsabilizou António Costa pelo fim da legislatura, salientando que foi ele quem apresentou a demissão.

"O jogo acabou porque o doutor António Costa pegou na bola, levou a equipa toda do lado, saiu do campo e pela porta pequena. Foi por isso que o jogo acabou, porque ninguém lhe pediu para sair. Ninguém lhe pediu para sair", apontou.

Nuno Melo contestou que António Costa tenha sido por motivos judiciais: "Deixou de ser primeiro-ministro, mas a razão não foi judicial, nem sequer nasceu em Belém provocada pelo Presidente da República. A razão foi política e foi muito grave e foi por culpa sua, e por isso se demitiu. Ninguém lhe pediu".

"Tinha uma maioria absoluta, tinha os meios, os instrumentos, podia fazer o que quisesse, e o Governo caiu. Um Governo de maioria absoluta caiu de podre, caiu porque a equipa do doutor António Costa já não conseguia marcar mais golos. E foi essa a razão", sustentou.

O presidente do CDS-PP optou depois por outra imagem: "O jogo acabou porque o treinador não prestava. E é preciso uma chicotada psicológica".

"E a chicotada psicológica vai estar aí no próximo dia 10 de março. Doutor Luís Montenegro, vais ser o próximo treinador desta equipa extraordinária, cheia de talentos, que só precisa de quem lhes indique a melhor tática para vencer todos os jogos, aqui e na União Europeia", afirmou.

Quanto a Pedro Nuno Santos, considerou que merece ser colocado "nos bancos da oposição".

Ao dar as boas-vindas a todos em Viseu, Fernando Ruas referiu que "o PS nunca pôs a mão" neste concelho, acrescentando: "Tenho a certeza absoluta de que essa foi a nossa sorte. Nunca meteram aqui o punho fechado. Aliás, sabemos bem que o punho fechado não ajuda ninguém".

Nuno Melo começou o seu discurso pedindo que não olhassem para ele como "presidente do CDS", porque na AD sente-se "somente um soldado de um grande exército liderado pelo Luís Montenegro que vai mudar os destinos de Portugal".

"O tempo é teu, meu querido amigo, grande líder Luís Montenegro", declarou, no fim da sua intervenção.

Montenegro diz que “verdadeira etapa começa dia 11” e não se distrai com “pequenos episódios”
Já o presidente do PSD afirmou que “a verdadeira etapa” do seu plano político começa no dia seguinte às eleições, e insistiu que não se vai distrair com “pequenos episódios” nem veio para "os jogos das políticas".

Num comício em Viseu, num espaço com 1.200 lugares sentados, Luís Montenegro passou em revista os principais compromissos da AD (coligação que junta PSD, CDS-PP e PPM), com um especial destaque aos compromissos para os jovens, por um lado, e para reformados e pensionistas, por outro.

“Este plano é mesmo para mudar o país, este plano não é para ganhar as eleições. Evidentemente que, para mudar o país é preciso ganhar as eleições, mas o nosso plano político não se vai esgotar no domingo, domingo é só uma pequena etapa, a verdadeira etapa começa segunda-feira, dia 11” de março”, declarou.

Numa mensagem que tem sido recorrente, Luís Montenegro afirmou que na campanha eleitoral “há muita gente entretida com outras coisas”, mas assegurou que não o vão demover do seu objetivo.

“O meu grande objetivo não é falar das pequenas coisas, dos pequenos episódios, é explicar a Portugal que nós temos tudo na nossa mão para sermos um país mais próspero e, sendo mais próspero, mais justo”, afirmou.

Montenegro acrescentou que não veio para “os jogos das políticas” nem para “as notícias de jornais ou telejornais”.

“Nós viemos para dar felicidade a cada ser humano e a cada português, entretenham-se outros com aquilo que é acessório”, disse, numa intervenção em que nunca se referiu ao seu principal adversário político, o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos.

Numa intervenção de cerca de 20 minutos, Montenegro repetiu o seu “compromisso inalienável” com os reformados e pensionistas de atualizar todos os anos “sem exceção” as pensões de acordo com a lei; atualizar mais as pensões mais baixas “dentro da medida do possível”; e, no período da legislatura, garantir que “quem for pensionista e não tiver rendimentos suficientes verá complementado o valor da sua reforma” até atingir os 820 euros.

“Está estudado, está orçamentado e estou em condições de dizer está garantido”, repetiu, reiterando que não ficará como primeiro-ministro se não cumprir a sua palavra.

Em Viseu, quis recordar uma conversa com uma senhora na Feira de São Mateus, quando começou a iniciativa “Sentir Portugal”, que lhe disse a chorar que o filho enfermeiro tinha decidido naquele dia ir trabalhar para o estrangeiro.

“Nunca mais me esqueci da mensagem que ela me transmitiu agarrando-me e dizendo: espero que faça alguma coisa para que as mães de Portugal não tenham de passar por aquilo que eu estou a passar”, disse.

O líder do PSD reiterou o objetivo de “estancar esta hemorragia de capital humano que está a prejudicar o presente e o futuro de Portugal”.

“Mães ou avós, pais ou avôs, de facto esta sociedade, este país que temos hoje está a afastar as famílias, está a desperdiçar o maior capital que nós temos, os mais jovens”, criticou-.

Montenegro, que antes de começar o discurso até cantou o hino da campanha com a plateia, esteve hoje sempre acompanhado pela mulher, num dia em que a caravana da AD começou ao lado do ex-presidente do PSD Pedro Santana Lopes na Figueira da Foz, seguido de um almoço-comício em Coimbra.

No círculo de Viseu, que elege oito deputados, o PSD conseguiu quatro em 2022, tantos como o PS, mas perdeu o primeiro lugar em votos neste distrito em tempos conhecido como "Cavaquistão", pelas votações expressivas aqui obtidas quando Cavaco Silva liderava o partido.