Ana Marques

27 de 05 de 2023, 08:02

Colunistas

O seu filho tem alergias? Saiba o que fazer!

Em meados do séc. XIX a “Febre dos Fenos” (atualmente denominada rinoconjuntivite alérgica) era uma entidade rara, causada pelos pólenes. Acreditava-se na altura que atingiria sobretudo as classes abastadas por hábitos de higiene excessivos

A Organização Mundial de Saúde refere um aumento da prevalência das doenças alérgicas em todo o mundo. Em Portugal a doença alérgica afeta cerca de 1 ? 3 da população. Em meados do séc. XIX a “Febre dos Fenos” (atualmente denominada rinoconjuntivite alérgica) era uma entidade rara, causada pelos pólenes. Acreditava-se na altura que atingiria sobretudo as classes abastadas por hábitos de higiene excessivos. No entanto, ao longo do tempo, assistiu-se a par com a modernização da sociedade, a vida em meio urbano e o aumento da poluição, a um aumento exponencial da doença alérgica.

A sensibilização aos pólenes duplicou nas últimas décadas, em particular nas crianças, sendo uma problemática atual que requer um olhar atento.
A alergia consiste numa reação inflamatória exagerada do sistema imunológico a substâncias do quotidiano que normalmente seriam inócuas. As alergias aos pólenes, sendo sazonais, podem recorrer ano após ano, por vezes intensificando-se e conduzindo a quadros inflamatórios crônicos.
As manifestações mais comuns dessa resposta inflamatória incluem queixas do foro respiratório, tais como espirros, congestão e corrimento nasal, tosse, falta de ar, bem como comichão e olhos vermelhos e lacrimejantes e manifestações cutâneas como pele seca e descamativa, comichão e lesões avermelhadas nas fases de agravamento.

Estes sintomas podem ocorrer de forma isolada ou concomitante, com limitação da qualidade de vida da criança/jovem e família.
Na primavera destacam-se as alergias aos pólenes. Não sendo possível uma prevenção ou evicção completa dos pólenes (isso implicaria clausura em casa durante vários meses!) podem no entanto ser adotadas algumas medidas simples que minimizam a sua exposição e queixas, tais como:
1- Consultar o boletim polínico: conhecer os boletins de polinização semanais online e estar atento à divulgação nos média das concentrações dos pólenes no ar ambiente;
2- Limpeza regular da casa e arejamento ao fim da tarde;
3- Evitar secar roupa no exterior;
4- Evitar cortar a relva;
5- Evitar atividades ao ar livre nas primeiras horas da manhã e quando os níveis de pólen são elevados sobretudo em dias de muito vento e sol - atenção aos desportos ao ar livre, campismo e caminhadas na natureza;
6-Sempre que viajar de carro manter as janelas fechadas;
7- Programar as férias escolhendo a época e local de modo a evitar o contacto com um pólen específico a que a criança seja alérgica; 8- Usar óculos escuros para prevenção das queixas oculares; 9-Lavar as mãos e o rosto com frequência; 10- Banhos regulares ao fim do dia para remoção dos alergénios;
Caso o(a) seu(sua) filho(a) apresente sintomas significativos compatíveis com rinoconjuntivite e/ou asma, deverá aconselhar-se com o seu médico assistente para um adequado diagnóstico e orientação terapêutica que poderá incluir anti-histamínicos, anti-inflamatórios, broncodilatadores e vacinas anti-alérgicas.
Não deve evitar nem ter receio em dar a medicação anti-alérgica recomendada pelo seu médico, nas alturas de agravamento das queixas!
A primavera é por excelência um período ameno, agradável e alegre. A temporada das flores, das cores, … Com o cuidado adequado e cumprindo as medidas preventivas e terapêuticas, mesmo em tempo de alergias, poderão as nossas crianças e jovens continuar a desfrutar desta temporada feliz!


Ana Marques, Pediatra No Hospital CUF Viseu

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