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30 de 03 de 2024, 17:30

Cultura

“Noite Fora” no Teatro Viriato com Maria Gil

“A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Alexievich, é um texto que é o ponto de partida para um anoite de conversas no palco do Teatro Viriato, em Viseu

teatro viriato viseu

O Teatro Viriato acolhe mais uma sessão do projeto “Noite Fora: Leitura e Conversas sobre Teatro”, que coloca a encenadora Sónia Barbosa à conversa, desta vez, com Maria Gil. É no dia 3 de abril e em palco vão estar mais mulheres.
Nesta sessão, a artista, que é conhecida por criar espetáculos que estabelecem uma relação direta e próxima com os espectadores, procura mostrar lugares e pessoas. As suas dramaturgias têm, como ponto de partida, premissas autobiográficas e histórias de pessoas e de lugares, que recolhe, cruza e ficciona, para construir uma poética do quotidiano. Os seus trabalhos evocam a periferia e a margem, mas também pessoas e lugares em desaparecimento.
Maria Gil selecionou o texto “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Alexievich, um livro jornalístico que faz de um projeto da autora intitulado “Vozes da Utopia”, que reúne cinco livros: “Vozes de Chernobyl”, “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, “O Fim do Homem Soviético”, “As Últimas Testemunhas” e “Rapazes de Zinco”. Esta obra, que será abordada no Teatro Viriato, condensa o testemunho das mulheres que participaram na 2ª Guerra Mundial, tais como combatentes, cozinheiras, médicas, enfermeiras, e permite perceber como o discurso das mulheres difere do discurso masculino.  
De acordo com Sónia Barbosa, coordenadora do projeto, esta é a primeira vez em que no “Noite Fora” se trabalha um texto que não é teatral. “Sempre procurámos dar espaço, mais do que isso, incentivar os artistas que por aqui passaram a exprimirem-se com liberdade e paixão; sempre quisemos que as escolhas dos textos lidos, fossem o mais coincidentes possível com a voz interior e o desejo íntimo dessas pessoas. Porque, para além de conhecer textos teatrais, partilhá-los, lê-los e discuti-los, queríamos também proporcionar encontros verdadeiros, que deixassem marca, não só nos artistas locais envolvidos, mas também nos espectadores/participantes das nossas sessões”, explica. 
Além do texto escolhido ser da autoria de uma mulher e da sessão ser dirigida por uma artista mulher, todas as intérpretes que farão a leitura encenada do texto serão também mulheres, nomeadamente as atrizes Filipa Fróis, Mariana Veloso, Rita Camões e a própria Sónia Barbosa.